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A Maldição do Sub sob a sina da SRE-SEF/MG

A Secretaria de Comunicação da Bahia soltou informe sobre o desempenho da arrecadação do ICMS. Aquele Estado teve um aumento de 6,48%, ou seja, quase o dobro da média do Brasil, que cresceu 3,62%.

Divulga que os 10 maiores estados brasileiros cresceram, em média, 3,14%, ou seja, um pouco abaixo da média nacional, de 3,62%. Quem teria puxado essa média para baixo? Surge Minas Gerais, o pior desempenho das Regiões Sul e Sudeste, com queda de -0,90%. São Paulo, que esperava equilíbrio nominal, crescera 2,57%.

Estudo recente, mas sem os dados de dezembro de 2015 de São Paulo, já apontava o péssimo desempenho de Minas Gerais no último exercício (clique aqui para visualizar).

Bahia destaca que o excelente desempenho nominal, mormente em um ano de grave crise nacional, decorreu de forte investimento em TI e treinamento do corpo fiscal.

Mais uma vez Minas Gerais tem papel impoluto nessa vestal. Pelo menos no informe oficial. Mas aqui, nos últimos 13 anos, a fiscalização, de fato, foi constipada e deflorada.

Com a fusão de FTE com AFTE a qualidade dos trabalhos fiscais despencou, pois os servidores de Postos Fiscais não têm noção de auditoria e não foram treinados para tal.

Atualmente, o que se vê, é “Auditor” dizer que detesta fiscalizar e luta sem cessar para encontrar um abrigo longe da pasta, de preferência um cargo comissionado, um nicho de privilegiados. Resultado: “Auditores” com salários de R$30 mil reais mensais, em média, que nunca lavrou Auto de Infração – AI nem tão pouco tem compromisso de gerar receita para o Estado. Afinal, produzindo ou não seu salário está garantido. Para tanto, basta uma boa relação com o gerente e todo mundo fica contente.

O GEFAZ, com atribuições fortes e de extrema importância, previstas em lei, encontra-se em desvio de função e, portanto, impedido de ajudar a alavancar o combalido caixa do erário. A TI, coitada, sempre ignorada, impõe ao Auditor ou ao Gestor muito mais do que competência técnica para suas ações laboriosas.

Há que relatar o resumo da saga de um Auditor (sem aspas) que tem compromisso com a coisa pública e não aceita ganhar sem trabalhar. Além do estudo do processo produtivo do contribuinte, há necessidade de diligências, cruzamento e tratamento de dados, análise de balanços, verificação do cumprimento da legislação, circularização e, claro, outras medidas do poder de polícia, muitas delas conflituosas e desgastantes em face da “invasão da parte mais íntima das empresas” que são as regularidades das atividades econômico-financeiras e contábeis. Busca-se a comprovação dos indícios e dos elementos de provas materiais e reais. Após a robustez probatória, o Auditor começa o trabalho de formação processual. Um AI envolve mais de mil cópias de documentos, além dos arquivos gravados em CD. As cópias são feitas pelo próprio Auditor. Após a elaboração das mais variadas planilhas, levantamento e a apuração do valor sonegado (tudo logicamente concatenado), inicia-se a geração da peça fiscal. O sistema é lento, pouco interativo e não funciona adequadamente. Até a internet é de péssima qualidade. Muitas vezes há que “simular” o cancelamento do auto de infração para que as alterações efetuadas sejam processadas. Os textos saem totalmente desconfigurados. Há que “inventar” parágrafo para que não aja quebra de linha ou pagina. E o sistema sempre lento, até mesmo para acessar. É uma sessão de tortura! Ufa! Rompeu-se essa fase! O filho nasceu, mas corre risco de não vingar.

Agora há 03 vias: uma, para o PTA; outra, para a Autuada; e a ultima, para a Representação Fiscal. Nova luta se inicia: o teste do Controle de Qualidade – CQ do trabalho fiscal! Em Contagem são 2 CQs. O 1º, na DF, que há discussão profícua em busca dos ajustes e do melhor formato processual. Esse, sem muitos desgastes, quando, claro, o responsável discute ideias e sugestões, mas sem imposições. O 2º CQ, feito pela SRF, por gente sisuda e cheio de “verdades”. Fazem relatórios “frios” de algumas laudas para criticar o trabalho, quase sempre sem sentido, pois são pessoas que não têm experiência em auditoria. Já houve casos de denúncias no MPMG sobre embaraços sofridos para a lavratura de AI. É melhor parar por aqui. Ainda está longe de terminar. É um trauma relatar e exige sessões de ioga para relaxar.

Enfim, gerar um AI exige abnegação! Hoje, lavrando ou não o AI, o “Auditor” recebe do mesmo jeito seus gordos salários. Alguém, sem compromisso social, comum aos “doutos colegas”, enfrentaria essa tortura acima relatada?

Aí surge a cúpula da SRE, que mantém a mesma turma de 13 anos, com um modelo gerencial patrimonialista (de viés familiar), obsoleto e cheio de regalias, cujo objetivo prende-se: lutar para não perder o cargo comissionado ou, no mínimo, jamais retornar para pasta e fiscalizar (não, não! Isso, não!).

O sonho maior do “Auditor”: comissão! Pelo menos R$8,0 mil reais a mais ao mês, além dos infinitos privilégios, sob rótulo de ócios do ofício. Assim: quem está dentro, dá a vida para não sair; quem está fora, capaz de tudo para entrar. Aí começa o cheiro do “pacto corrupto” no ar: você respeita meu caviar e eu não mexo em seu jantar!

Enquanto isso, a maldição do SUB assombra. Idos de 1996/97, Fisco no limbo, atraso de salário consumado. 2016/17, parcelamento salarial, poluição ambiental e a previsão do caos total. Talvez a numerologia explique a razão de tamanho baixo astral.

Fica a pergunta: algum “Auditor” estaria satisfeito com o cenário atual, caso cumprisse 8h diárias e tivesse sua “produtividade” devidamente apurada?

João Batista Soares
Diretor de Imprensa e Divulgação do SINFFAZFISCO

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