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Valores do Militante e do Dirigente Sindical

VALORES DO MILITANTE E DO DIRIGENTE SINDICAL
 
 
Paulo Vannuchi (versão 11.99)
 
Este texto traz uma discussão sobre valores e compromissos que devem orientar nosso comportamento na vida sindical. Compromissos todos sabem o que significa: o que me liga a esta luta, porque estou nela, qual a responsabilidade que assumo perante meus companheiros, minha categoria, minha classe. Valores, aqui, têm um significado diferente do econômico. Na economia o valor expressa a quantidade de trabalho contida em determinado objeto ou produto. O valor é a medida desse trabalho e estabelece uma comparação para troca de objetos.
Valores, neste texto, significam o que nos move moralmente e ideologicamente, as idéias que norteiam nossa conduta, aquilo que fazemos não porque a lei exige ou porque alguém impõe. Os valores são uma espécie de voz interior em cada um de nós, construída por nossa experiência de vida, de trabalho, de estudo, conversas, discussões e avaliações, voz que orienta nosso comportamento em cada momento de decisão.
Um texto sobre valores e compromissos do militante é diferente de uma cartilha contando a história de nossa luta. Na cartilha as informações são objetivas. Podem estar certas ou erradas, mas quem escreve se apóia em fatos palpáveis. A discussão sobre valores ideológicos pertence a um terreno mais subjetivo e requer maior cautela porque as opiniões não respondem diretamente a um fato concreto. O leque de diferenças, divergências e discordâncias é mais amplo. Ninguém tem sabedoria para escrever ensinando qual o comportamento correto e qual o errado. Quem deu a essa pessoa tamanha autoridade?
Este texto reflete, portanto, uma discussão na equipe responsável pelo trabalho de formação no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na conjuntura concreta do início de 1999. Busca se apoiar na experiência de 20 anos de esforço regular de formação sindical em nossa categoria, trabalho esse que teve diferentes etapas, muito distintas entre si. Sua função é estimular discussão e assimilação sobre este aspecto da militância, mas o texto também precisa ser criticado, contestado, complementado e alterado, uma vez que a idéia aceita como verdadeira hoje, torne-se duvida amanha e vira conceito superado depois de amanha.
Selecionamos aqueles valores que aparecem com ênfase sempre que discutimos as qualidades que devem marcar a atitude de um militante ou dirigente sindical. Numa breve introdução, será útil focalizar três questões básicas nesse tema: quem somos nós, quais os nossos objetivos e qual a nossa recompensa.
Como militantes, somos, num primeiro sentido, iguais a todos os demais trabalhadores. Noutro sentido, somos diferentes e especiais. Somos iguais porque vivemos as mesmas dificuldades, angústias e esperanças de todos os que carregam o peso de viver numa sociedade movida pelo lucro, particularmente numa sociedade como a brasileira, onde a exploração produz os níveis mais altos de desigualdade, tensão, violência. Temos os mesmo interesses em garantir empregos, bons salários, segurança e algum conforto para nossas famílias, a vontade de crescer no sentido profissional, cultural e espiritual. Temos as mesmas necessidades de compreensão, de valorização, de respeito, de vida afetiva e de prazer. Carecemos todos de nossos momentos de lazer e privacidade.
Somos diferente e especiais no sentido de que nos destacamos da massa ao romper com valores individualistas e com a ideologia que é incutida diariamente em todo o tecido social pelas emissoras de TV, pela imprensa, pela empresa onde trabalhamos, pela escola, por boa parte das igrejas e pela própria estrutura familiar que nos envolve. Queremos mudar a sociedade em que vivemos.
Queremos construir um mundo justo, assentado num preciso equilíbrio entre igualdade e liberdade. Assumimos conscientemente uma série de risco e nos expomos a perdas importantes para seguir esse sonho que costumamos chamar de utopia, entendida como uma espécie de horizonte onde fixamos as olhos durante a caminhada.
Nossos objetivos se compõem de dois patamares distintos. O objetivo de longo alcance, estratégico, é a construção desse futuro diferente. Mas, na medida em que isso demandará muitos anos ou décadas, a utopia se converte em metas que podem ser atingidas em nossa geração, desde que a vontade política se some a uma visão lúcida para assegurar vitórias tangíveis.
Lutamos, então, pelo respeito aos direitos e à dignidade do trabalha no dia a dia da fabrica, lutamos por salários, pelo emprego, por uma qualidade superior de vida em todas as suas dimensões. Nada disso pode ser garantida com a ação restrita ao interior da empresa. Ali a luta nasce e enraíza, deitando alicerces para ampliar-se nacionalmente numa crescente intervenção sobre os rumos políticos do país e sobre toda sua organização econômica social. Cada conquista torna-se acumulo em direção de patamares mais ousados. Não pensamos em descansar antes de eliminar o odioso nível de desigualdade e de explora que pauta este Brasil do ano 2000.
É natural que se pense em recompensa para tanto esforço, visto que ninguém deve abraçar a luta como forma de autopunição ou como fuga das angustias existenciais. Mas deve ficar claro que a recompensa de um militante não pode ser expressa na moeda capitalista do ganho financeiro, ou do carreirismo, da fama ou da glória individual. Quem entra nessa luta tem consciência suficiente para valorizar um outro tipo de recompensa, que se mede pelo respeito conquistado entre companheiros, amigos, colegas e até por amplo círculos da sociedade por força da seriedade, da dedicação, da generosidade e da firmeza com que abraçamos a vida militante. Desprezar a satisfação que todos nós podemos sentir quando somos alvo desse reconhecimento e valorizando apenas os holofotes da projeção individual é ignorar tudo o que opõe nossa luta e a ideologia da sociedade que queremos mudar.
Com esta introdução, passaremos a focalizar seis aspectos que nos parecem centrais na discussão dos valores que devem inspirar o comportamento de um bom dirigente ou militante sindical.
 
SOLIDARIEDADE
 
É a palavra chave de toda nossa atuação.
No dicionário do Aurélio já encontramos o significado do termo. É laço ou vínculo recíproco. Adesão ou apoio à causa. É o sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses e às responsabilidades de um grupo social, de uma nação ou da própria humanidade. É a relação de responsabilidades entre pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar o outro ou os outros. É dependência recíproca.
A solidariedade representa, assim, a palavra que melhor sintetiza a contraposição frontal com os valores da sociedade capitalista, em especial nas suas variantes neoliberais: competitividade, concorrência, sobrevivência dos mais aptos, sucesso individual, glorificação do mercado, vitória dos espertos.
Ela reflete, também, a compreensão mais profunda sobre a importância estratégica daquela que é uma das principais vantagens comparativas dos trabalhadores em relação ás elites dominantes, que é o nosso número, que é o fato de sermos esmagadora maioria. As elites só conseguem manter-se no poder, usurpando o direito da maioria, na medida em que impedem a formação dos laços de solidariedade entre os dominados, ou quebrá-los através de mil artifícios.
O próprio sindicato nasceu, nos primórdios da revolução industrial, a partir das experiências de solidariedade e de ajuda mútua que os operários foram estabelecendo entre si para enfrentar a exploração patronal.
A solidariedade é um pressuposto básico para se garantir uma forte unidade de ação, mesmo quando temos entre nós profundas diferenças de opinião quanto ao melhor caminho a seguir. Todos sabem que a classe trabalhadora jamais triunfa se não apresenta unida. É solidariedade de classe que me anima a participar ativamente de uma luta, mesmo a proposta que defendi não obteve maioria na hora de decidir. É a solidariedade que explica o fato de nos chamarmos, uns aos outros de companheiros, palavras cuja origem significa comer o mesmo pão, no passado significando pão do trigo e, hoje, pão da mesma causa, dos mesmos interesses históricos.
É essa solidariedade e esse companheirismo que definem a importância vital do trabalho em equipe e da permanente preocupação em buscar a participação de todos ou do maior número possível, em nossas atividades e em nossas tomadas de decisão. Sem trabalho em equipe, como a própria empresa capitalista vem descobrindo, abre-se campo para disputas internas, rivalidades e ciúmes que bloqueiam ou enfraquecem todo tipo de ação.
É verdade que, no jogo que simboliza nossa luta, qualquer um de nós tem direito de fazer seu gol. Melhor ainda se for um gol de placa. Todos nós prezamos e aplaudimos as intervenções inspiradas de nossos dirigentes mais importantes, na imprensa, nas assembléias ou num palanque. Mas a solidariedade na luta significa evitar aquela velha tentação de fazer o gol sozinho, jogando apenas para a torcida.
A solidariedade, enfim, constitui em nosso cotidiano sindical o mais importante vínculo ligando os enfrentamentos de hoje e nossos objetivos mais profundos de igualdade, inscritos no horizonte utópico. É somente sendo solidários em nossa vida sindical que comprovamos nossa confiança nos ideais de igualdade que movem a classe trabalhadora há mais de duzentos anos, em todos os países. Igualdade essas que pode ser melhor  compreendida quando levamos em conta o que disse uma das mais importantes pensadoras do nosso século: não nascemos naturalmente iguais nem somos iguais em nossas vidas reais; tornamo-nos iguais porque assumimos conscientemente a decisão de sermos iguais (Hannah Arendt, citação não-literal).
 
COMPROMISSO
 
Do papel decisivo jogado pela solidariedade nasce a grande importância que atribuímos ao compromisso com a luta, à dedicação que o militante e o dirigente demonstram diariamente e, principalmente, sua persistência ao longo do tempo.
Um companheiro pode ser solidário com a luta, mas pouco dedicado, preferindo participar esporadicamente. Claro que isso já tem algum valor. Mas a regularidade, a disciplina, a seriedade no cumprimento das tarefas assumidas, a firmeza, a garra e a combatividade demonstradas na militância são peças fundamentais para garantir a eficiência na ação sindical e para angariar respeito entre os trabalhadores da base.
Nesse sentido, está claro que o bom militando é o dotado de agudo espírito crítico, não devendo atuar jamais de maneira conformista. Ele indaga sobre o acerto das propostas de encaminhamento, questiona, discorda e argumenta. Mas não deixa de encaminhar o que lhe foi incumbido, nem coloca suas dúvidas e discordâncias acima do compromisso de unidade. Sem essa lealdade e sem essa fidelidade para com a luta de nossa categoria e de toda a classe trabalhadora, teremos poucas chances de enfrentar e vencer a força poderosa de nossos adversários e inimigos.
Cada um de nós tem muita importância como indivíduo, mas é na ação coletiva que repousa toda a energia e o potencial na luta da classe. E não é possível desenvolver um esforço coletivo sem disciplina, cumprimento de tarefas, senso de responsabilidade não apenas sobre a parte que me cabe, mas sobre todo o trabalho em seu conjunto.
Que luta salarial que mobilização de rua, que campanha de sindicalização e que programa de formação conseguimos levar adiante se os companheiros faltam às reuniões, chegam sempre atrasados, dão desculpas imaginosas, se revelam incapazes de abrir mão de qualquer demanda familiar, jogo do time e até mesmo do boteco de sempre?
 
DEMOCRACIA
 
A solidariedade e o compromisso de classe exigem um profundo espírito democrático em nosso método de atuação. Todos sabem o que é ser democrático: é saber ouvir, respeitar opiniões diferentes entre os companheiros, mesmo aquelas que nos parecem abobrinha. É saber dialogar e incorporar argumentos diferentes, garantindo um empenho de pluralidade, indispensável quando buscamos unidade e o engajamento de amplos contingentes de trabalhadores.
É natural que tenhamos maior afinidade pessoal com determinados companheiros, com quem sempre preferimos sentar durante as refeições, biritar ou trocar idéias. E há outros por quem guardamos alguma antipatia. Mas é indispensável que em nossa luta sindical saibamos distinguir bem o que é pessoal e o que não é, para não tratarmos como adversário aqueles que podem ser companheiros tão sérios e responsáveis como nós, embora as características individuais dele e minha não favoreçam uma aproximação maior.
O autoritarismo que caracteriza a dominação capitalista invade a luta dos trabalhadores e todos nós conhecemos companheiros que preferem ganhar no grito.
Acostumados, na fábrica, em casa, na escola, na vida, a conviver com pessoas que se comportam como donos da verdade, muitos de nós incorporamos esse estilo e acabamos fazendo um trabalho sindical que o pessoal da base acha semelhante à dominação exercida pela própria empresa.
Levando em consideração que a ligação coma base é um princípio fundamental de nosso sindicalismo cutista, esse comportamento antidemocrático se revela bastante nocivo. Sendo a solidariedade um componente fundamental de nossa luta e sendo a consciência humana extremamente rica na diversidade de idéias e percepções, é só através de um profundo espírito democrático nas discussões e nas atividades práticas que se garante ampla participação e unidade entre companheiros que, inevitavelmente, não têm exatamente a mesma idéia a respeito dos encaminhamentos a serem adotados.
A própria questão da linguagem aparece então como um nó do relacionamento entre militantes e a base. O uso de um palavreado altamente politizado, cheio de chavões e gírias de esquerda, de difícil tradução por companheiros menos escolarizados já é uma espécie de lesão a esse compromisso coma  democracia.
Faz parte do método democrático a exigência de que os companheiros eventualmente em minoria acatem as decisões tomadas por maioria. Esse é o tópico mais central na idéia democrática. Sem isso não existe unidade de ação e nenhuma luta vitoriosa se torna possível. Mas democracia não é isso. É assegurar, também, determinados direitos das minorias, tanto com vistas a nos vacinarmos contra o perigo de uma “ditadura da maioria”, quanto no sentido de que a história está cheia de episódios em que pessoas em minoria num dado momento forma reconhecidas mais tarde como quem estava com a razão.
Daí a necessidade de sabermos respeitar quem pensa diferente, trabalhando, através do diálogo permanente, para incorporá-los plenamente às atividades, ao mesmo tempo em que nosso esforço pra convencê-lo só é coerente quando nos colocamos em aberto para sermos também convencidos. É preciso dar um basta nesse comportamento de nem prestar atenção no que alguém está dizendo, porque já conheço essa pessoa e imagino que já sei o que ela vai dizer.
 
HONESTIDADE
 
Poderíamos escolher outro termo para este quarto bloco de qualidades desejáveis no militante e no dirigente sindical. Poderia ser franqueza, sinceridade, respeito pela verdade, lealdade e muitos outros. O que queremos abordar neste bloco é a importância de evitar na luta sindical o comportamento oportunista de quem atropela esse tipo de regra ética de conduta, com o falso pretexto de estar fazendo isso para “garantir a posição correta”. Entramos aí na velha controvérsia da relação entre os fins e os meios, sobre a qual tanto já se escreveu e falou.
É fundamental que em nossa luta nos pautemos pela verdade, pela estrita observância dos fatos tais quais eles são, e não tais quais gostaríamos que fossem. Fins e meios se relacionam de tal modo que se adotou meios fraudulentos para buscar meus fins, eles correm alto risco de se contaminarem pela fraude.
A honestidade que se propõe então como valor básico no comportamento do militante sindical é derivada da importância atribuída á solidariedade, ao compromisso e ao espírito democrático em nossa ação. Ela exige permanente visão autocrítica e a capacidade de reconhecer as próprias limitações, erros e falhas, sem medo de que isso seja visto como sinal de fraqueza ou prejuízo para as idéias defendidas. É muito comum aparecer em nossas discussões sobre esse assunto a palavra humildade, entendida aqui sem qualquer sentido de servidão. Humildade significa ter consciência de que todos nós temos limitações e de que, no sindicato, como numa orquestra, o que conta é o conjunto. Mais ainda: significa ter consciência de que estamos interessados em aprender sempre, elevar a qualidade de nossa atuação, através da elevação da qualidade do nosso preparo.
Que sociedade nova queremos construir se não somos capazes de reconhecer falhas, se aproveitarmos nossa condição de dirigente sindical para auferir pequenos (ou grandes) privilégios na empresa, se reproduzimos em nosso comportamento o mesmo padrão disseminado pelo sistema vigente ou dominação?
 
OUTRAS QUALIDADES
 
Todos conhecem a frase do Che sobre a importância de sermos duros em nossa luta sem perder a ternura. No mesmo capítulo da ternura podemos acrescentar outros elementos semelhantes como a afetividade, a capacidade de sermos realmente amigos de nosso companheiros de luta, de evitar um astral mal humorado e um nervosismo histérico que transforma algumas atividades políticas num verdadeiro duelo de raiva.
Quem se dispõe a enfrentar os duros obstáculos que temos à nossa frente precisa temperar-se com boas doses de serenidade, objetividade, clareza e lucidez de raciocínio, capacidade constante de pensar e manter o sangue frio para agir, mesmo quando a tarefa demanda calor e paixão.
Essa característica do militante e do dirigente sindical é que lhe permite desenvolver um dinamismo criativo, que rejeita a inércia e o burocratismo de fazer tudo sempre igual, sem mudar nada, por insensibilidade quanto às mudanças que ocorrem constantemente no cenário político do país, ou no conjunto de nossa categoria, ou no contexto de uma empresa, ou no comportamento das pessoas de pessoas de nossa base.
Daí a importância da nossa qualificação permanente, não apenas no sentido de nosso aperfeiçoamento profissional, educacional e cultural – sempre desejáveis – mas sobretudo de nossa autocapacitação como militantes e dirigentes sindicais, com vistas a assegurar um trabalho de qualidade e eficácia cada vez mais desenvolvidas.
Visão ampla, lucidez e clareza de raciocínio não se adquire nos livros e sim na vivência que supera dificuldades e constrói valores novos. Mas os livros e todos os tipos de veículos do conhecimento, sobretudo os que assimilamos através de discussão em grupo, centradas na reflexão diante de nossa própria experiência, podem representar uma inestimável ajuda nessa direção.
 
 
 
MÍSTICA
 
Nossa luta se compõe de fatores extremamente racionais, como a questão dos salários e da produção das empresas, a defesa do emprego, a conjuntura econômica, política e social de nosso país, nossos objetivos e nosso programa político de longo prazo. Mas nenhuma luta se sustenta apenas a partir do elemento racional. O emocional, os elementos que tocam profundamente em nosso psiquismo e nas imagens de nossa mente, muitas vezes acelerando o coração, esquentando o sangue, também precisam ser levados em conta no encaminhamento de nossa luta. A esse conjunto de elementos que ultrapassam a mera racionalidade costumamos abordar como mística, palavra que tem relação com as dimensões espirituais de nossa vida.
A mística da militância é calcada em valores como a generosidade, o despreendimento, o espírito de sacrifício, a austeridade, o ascetismo, a capacidade de abrir mão de interesses individuais, em função dos objetivos da luta. Particularmente nas conjunturas ditatórias, que nosso país já viveu tantas vezes, com perseguições, prisões, torturas e mortes, esses elementos passam a ter uma importância enorme, velando como uma espécie de cimento que une todos os militantes num sentido de elevação ideológica que multiplica a capacidade de resistência e de luta. E mesmo em períodos menos repressivos, como agora, essa mística permanente tendo importância.
Mas é sempre bom lembrar que esses aspectos da militância não podem ser levados até o nível do exagero que introduz marcas do fanatismo ou daquele tipo de religiosidade que é próprio das seitas, levando nossa luta por um mundo justo e livre a ser vista por alguns como se nós gostássemos do sacrifício pelo sacrifício ou como se a militância representasse um rompimento com as nossas legítimas necessidades de alegria, de felicidade e de prazer.
 
 
 

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