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A Pandemia e o sonho de Luiz de Paula

Fazendo a minha caminhada matinal, no Parque Sagarana, passei a refletir sobre este ano que agora se finda. Um ano atípico em que vivemos a pandemia mais severa e mortal de que se tem notícias. Um ano de eleições municipais e também de superação. Um ano que deixará em todos nós marcas profundas e mensagens importantes. Nunca se buscou tanto a ciência para a solução de um problema. E, finalmente, compreendemos que é nela, na pesquisa, na ciência e na tecnologia que está o nosso futuro, as nossas vidas.

Vivemos em um país em que a educação, as pesquisas científicas sempre estiveram em segundo plano. Sempre foram tratadas com desdém pela sociedade e pelos governantes. E agora somos obrigados a ver a Pfizer americana (que sempre investiu em ciência) vacinar a primeira enfermeira em New York enquanto aqui, ainda nos preparamos para iniciar a vacinação de todos em janeiro próximo. Enquanto o Instituto Butantã viu seu orçamento sendo encurtado ao longo dos anos, a Oxford teve o seu orçamento duplicado ao longo dos anos; e também a Oxford, em parceria com a AstraZeneca, também começa a vacinar. Tardiamente concluímos que perdemos o bonde da história no quesito pesquisa e no quesito educação. E isto nos custou vidas. Isto nos custou muito caro. Países que sempre valorizaram a educação básica e a pesquisa científica deram melhores respostas à pandemia. Por isto não devemos nos esquecer jamais de que a educação, a pesquisa científica e tecnológica devem ser prioridade absoluta de governos municipais, regionais e federal. Retirar do discurso e fazer da prioridade à educação um discurso concreto e duradouro para que saibamos enfrentar melhor e com mais eficiência tragédias e pandemias futuras como a fome e a miséria.

O saudoso Luiz de Paula Ferreira, com toda a sua sensibilidade e inteligência sempre dizia ao seu compadre José Alencar que além do sol e da chuva um fator poderia retirar o norte de Minas do subdesenvolvimento, justamente a educação continuada e de qualidade, pensando nisto fundaram juntos o Colégio da COTEMINAS nas proximidades do carente bairro Morrinhos de Montes Claros, que funciona até hoje. Homens de visão. De futuro.

Além de visionário, Dr. Luiz de Paula era também poeta e escritor; enfim um homem adiante do seu tempo. Também um homem para não se esquecer; da mesma forma como nunca deveremos nos esquecer deste ano que se finda. Um ano de dor, de sofrimento, de perdas, mas também de superação e luta. Vejam que beleza Dr. Luiz nos escreveu no século passado: “Um cheiro bom que vem na brisa da serra está anunciando que estamos outra vez em setembro. O mês das tardes bonitas, do sol pálido. Setembro das queimadas, das tardes calmas de fim de estio. No sertão, as primeiras tardes da primavera têm um cheiro bom de inocência (…) com o cair do crepúsculo, vão-se calando, pouco a pouco, todos os rumores. E um quase silêncio envolve a natureza, quando sobre o horizonte longínquo a papa-ceia anuncia que vai nascer a noite estival. (…) minha primeira profissão aqui foi de engraxate, na rua Simeão Ribeiro, em frente a um bar onde é hoje a Lanchonete cristal. (…)foi decisiva em minha vida a formação em contabilidade. Foi como contador, trabalhando muito e economizando, que consegui montar minha própria empresa, com a venda da qual pude alimentar o sonho de trazer para Montes Claros a fábrica de tecidos mais moderna do país.

Na oportunidade, desejo a todos um natal de muita paz e um 2021 repleto de vitórias e realizações, com muita saúde, emprego e oportunidades para todos.

Gustavo Mameluque
Gestor Fazendário
Jornalista
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros
Colunista do Novo Jornal de Notícias e do site montesclaros.com

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